AS TRÊS ECONOMIAS POLÍTICAS DO WELFARE STATE - II

 

A ECONOMIA POLÍTICA DO WELFARE STATE

Nossos antepassados em economia política definiram a base analítica de grande parte da produção intelectual recente. Isolaram as variáveis-chave de classe, Estado, mercado e democracia e formularam as proposições básicas sobre cidadania e classe, eficiência e igualdade, capitalismo e socialismo. A ciência social contemporânea distingue-se da economia política clássica em dois fronts cientificamente vitais. Primeiro, define-se como ciência positiva e afasta-se da prescrição normativa (Robbins, 1976). Segundo, os economistas políticos clássicos tinham pouco interesse pela diversidade histórica: viam seus esforços como algo que levava a um sistema de leis universais. Embora a economia política contemporânea às vezes ainda se apegue à crença em verdades absolutas, o método comparativo e histórico que hoje serve de suporte a praticamente toda economia política de boa qualidade é um método que revela variação e permeabilidade.

Apesar destas diferenças, a produção mais recente tem como foco o relacionamento Estado-economia definido pelos economistas políticos do século XIX. E, dado o crescimento enorme do welfare state, é compreensível que se tenha tornado um teste importante para teorias conflitantes da economia política.

Vamos examinar a seguir as contribuições da pesquisa comparativa sobre o desenvolvimento de welfare states em países de capitalismo avançado. Pode-se dizer que a maior parte da produção intelectual tomou o caminho errado principalmente por ter-se afastado de seus fundamentos teóricos. Por isso é necessário remodelar tanto a metodologia quanto os conceitos da economia política para podermos estudar adequadamente o Welfare State.Este será nosso objetivo na seção final deste capítulo.

Dois tipos de abordagem dominam as explicações dos welfare states: uma enfatiza estruturas e sistemas globais; a outra, instituições e atores.

Autor: Gosta Esping-Andersen

Professor do Departamento de Ciências Políticas e Sociais do Instituto Universitário Europeu de Florença

Prossegue em: 
A ABORDAGEM DE SISTEMAS/ESTRUTURALISTA



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