HISTÓRIA DO BRASIL: ANO MMXXIII DO QUADRIÊNIO DA ESPERANÇA - VI
Governo avalia tributar até
500 empresas com ‘superlucros’, diz Haddad
Ministro diz que governo não quer aumentar impostos
para "o público geral", mas cobrar de quem paga pouco
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira que o governo avalia tributar até 500 empresas que utilizam de artifícios para não pagarem impostos. Segundo ele, seriam empresas com "superlucros".
— Estamos falando de
grandes empresas que têm superlucros. De 400 a 500 com superlucros, que, com
expedientes ilegítimos, fizeram constar no sistema tributário o que é
indefensável, como subvencionar o custeio de uma empresa que está tendo lucro.
Se uma empresa está tendo lucro, por que o governo vai entrar com dinheiro
subvencionando essa empresa? — alega Haddad.
O ministro se refere aos incentivos fiscais
concedidos por estados a empresas, via ICMS, que podem abater esse crédito da
base de cálculo de impostos federais (IRPJ e CSLL). O governo quer que o
crédito só seja abatido se for destinado a investimentos, e não a custeio.
Na manhã
desta quinta-feira, Haddad afirmou que a nova regra para as contas públicas, o chamado arcabouço fiscal,
obrigatoriamente levará a uma queda na taxa
básica de juros - hoje em 13,75%.
Segundo o ministro, essas empresas que pagam
poucos impostos causam distorções na economia e pressionam as finanças
públicas. E essa é uma das razões para a Selic elevada no país.
— Está
caro [o crédito] porque essas empresas [que não pagam impostos] desarrumaram o
orçamento federal. Quanto mais desarrumado estiver o orçamento federal, mais
vai ser difícil a gente ter uma taxa de juros decente, essa que está aí é
indecente. Não estou colocando a culpa em ninguém. Estou dizendo que se a gente
não corrigir as distorções do nosso sistema tributário e fiscal, sem onerar
quem já está pagando impostos [os juros não vão cair] - disse o ministro.
Haddad diz que o governo não pretende mexer
no Simples, nem reonerar a folha de pagamento das empresas. Também garantiu que
a construção civil não terá aumento de tributos.
- Não
estamos falando da pequena empresa, da média empresa, nem da grande empresa.
Estamos falando de empresas enormes. Hoje, 40% dos litígios do Judiciário dizem
respeito a tributos. Repito, reoneração sobre a folha está no projeto? Não.
Mexer no Simples? Não. Construção civil, não. Consumo, sobretudo alimento, não.
Nada disso está na ordem do dia - disse o ministro.
Receita de até R$ 90 bilhões
A receita
de até R$ 90 bilhões (se essa medida for aprovada) compensaria grande parte do
total que o governo precisa para viabilizar o arcabouço fiscal no longo prazo.
A nova âncora para as contas públicas prevê déficit zerado no próximo ano e
superávits a partir de 2025.
Pelo atual parâmetro, a
proposta precisaria de incremento de receita entre R$ 110 bilhões a R$ 150
bilhões, segundo o ministro da Fazenda.
Pelo atual parâmetro, a
proposta precisaria de incremento de receita entre R$ 110 bilhões a R$ 150
bilhões, segundo o ministro da Fazenda.
Por Renan
Monteiro — Brasília
Jornal O Globo
