TAXA DE CÂMBIO
O que é a taxa de câmbio?
Primeiro, é preciso
entender alguns termos básicos. Por exemplo: você sabe a diferença entre câmbio
e taxa de câmbio? E, quando você lê ou escuta a frase “hoje, a taxa de
câmbio apresentou uma leve valorização”, você sabe o que isso
significa?
Agora, quando se
fala que houve uma valorização cambial, ou que a taxa de câmbio se valorizou,
estamos dizendo que a moeda estrangeria está mais barata. Ou seja, o real
se valorizou diante do dólar, logo precisamos de menos reais para comprar
1 unidade da moeda estrangeira.
Já quando falamos
que houve uma desvalorização cambial, estamos dizendo que o real se
desvalorizou, ou seja, precisamos despender mais reais para comprar moeda
estrangeira. Por exemplo: se houve uma desvalorização cambial do real para com
o dólar, precisaremos de mais reais para comprar 1 dólar.
Essa entrada e saída
de dólares em um país depende de muitos fatores, dentre eles o comércio de
produtos e serviços que o país tem com o resto do mundo.
Para realizar os
acordos internacionais de maneira simples, é preciso o uso de uma moeda
estrangeira de referência. Atualmente, o dólar americano cumpre esse papel.
Então, quando os
contratos de exportação são firmados no Brasil, o dólar tende a ser escolhido
como base para a negociação. Nesse sentido, quando o dólar está apreciado (ou
seja, quando o dólar vale mais que o real; em outras palavras, quando
precisamos de mais reais para comprar 1 dólar), as exportações brasileiras são
mais lucrativas.
Acontece assim:
suponhamos que você está no Brasil e vendeu 1.000 unidades de um determinado
bem, como maçãs, por exemplo. Cada maçã você vendeu por U$ 1,00. Ao final dessa
operação de venda, você receberá U$ 1.000,00, correto? Agora suponha que cada
U$ 1,00 corresponda a R$ 5,00. No final dessa operação, você terá R$
5.000,00.
Agora suponhamos que
você tenha vendido as mesmas 1.000 unidades de maçãs, só que agora o dólar
esteja depreciado (ou seja, precisamos de menos reais para comprar 1
dólar). Nesse caso, você vendeu U$ 1.000,00, mas dessa vez cada U$ 1,00 vale R$
2,00. Você então receberá R$ 2.000,00.
Veja que, para quem
exporta, o dólar estar apreciado (valendo mais) traz mais vantagens
financeiras.
Por outro lado, para
quem compra mercadorias importadas, o dólar estar apreciado não é tanta
vantagem assim. Basta você pensar na situação oposta, se você estivesse
comprando as mesmas maçãs por U$ 1,00 cada. No primeiro exemplo, você, como
comprador, estaria desembolsando R$ 5.000,00 e, no segundo caso, estaria
desembolsando R$ 2.000,00. Ou seja, para quem precisa comprar produtos e
serviços externos, a vantagem é que o dólar esteja cada vez mais baixo.
Moeda estrangeira valorizada é boa para todo mundo?
Como você acabou de
descobrir, a desvalorização cambial nem sempre é positiva para todos na
economia. Afinal, embora os exportadores passem a ganhar mais, os importadores
sentem os efeitos contrários diante desse movimento.
No caso do Brasil, é
comum que exista uma importação frequente de produtos, insumos e componentes
que abastecem a indústria e o comércio. Como consequência, os contratos
costumam ser pagos em dólar — mesmo que o fornecedor não seja dos Estados
Unidos.
É por isso que,
quando o dólar dispara, diversos produtos do mercado também aumentam de preço.
A gasolina, por exemplo, tem o preço atrelado ao barril de petróleo, que é
fixado em dólares. Se essa moeda passa por uma valorização em relação ao real,
os custos se tornam maiores.
Aqui, o problema é
que os gastos podem ser repassados para toda a cadeia produtiva — ou seja, desde
o produtor ou fabricante até o consumidor final. Como consequência, a oscilação
positiva de uma moeda estrangeira, isto é, a desvalorização cambial, pode
afetar negativamente a economia brasileira.
Quais são os regimes cambiais?
Além do que você viu
até aqui, é importante entender quais são os regimes cambiais existentes
nos países. Eles também são conhecidos como sistema cambial e ajudam
a determinar a formação da taxa de câmbio entre as moedas.
As principais
alternativas são:
câmbio flutuante: varia
conforme a necessidade de mercado. Quanto maior a saída de moeda estrangeira no
país, maior será sua valorização, ou seja, a moeda nacional irá se depreciar ou
desvalorizar. Já se há uma entrada maior de moeda estrangeira no país, maior
será a desvalorização da moeda estrangeira e maior será a valorização da moeda
nacional.
câmbio fixo: a taxa
é definida pelo Governo, de acordo com a política cambial. Geralmente, seu uso
serve para controlar a inflação em
países com forte atuação do Estado;
banda cambial: serve
para estabelecer limites máximos e mínimos dentro dos quais a taxa de câmbio
pode variar. Quando os limites são superados, o Banco Central do país compra ou
vende moeda estrangeira para controlar seu preço.
Como a variação cambial afeta os investimentos?
Você descobriu os
principais impactos da variação da moeda estrangeira na economia e no
cotidiano, certo? Porém, também é preciso considerar os possíveis efeitos
dessas oscilações sobre a sua carteira de investimentos.
Na sequência, você
vai entender como alguns investimentos são afetados pelas mudanças no preço da
moeda estrangeira. Confira!
Renda fixa
Como você
acompanhou, o aumento do dólar no mercado pode encarecer diversos insumos e
itens da cadeia produtiva. Como consequência, tende a ocorrer uma elevação nos
preços de produtos e serviços, resultando em uma inflação elevada.
Para controlar esse
avanço de preços, o Banco Central costuma elevar a Selic,
a taxa básica de juros da economia. Quando ela fica mais alta, por exemplo, o
crédito fica mais caro e o consumo é desestimulado. Isso pode incentivar a
redução de preços, ajudando no controle da inflação.
Nesse caso, as
alternativas de renda fixa pós-fixadas podem se tornar mais atrativas para os
investidores. Como as aplicações dessa classe têm retornos impactados pela
Selic, de maneira direta ou indireta, o aumento da taxa pode elevar a
rentabilidade dos títulos.
Por outro lado, para
os investimentos em renda fixa prefixada ou híbrida, o aumento da Selic tem um
impacto negativo.
Fundos de ações
Também é
interessante conhecer os impactos nos fundos de investimento. Em relação aos fundos de ações, eles podem ou não se
beneficiar do aumento do dólar. Isso porque esses veículos financeiros podem
ser formados por ações de empresas ligadas a diferentes setores e também podem
ter, em suas carteiras, empresas no exterior –e essas carteiras podem ter
proteção ou não ao dólar.
Se o segmento das
companhias que compõem o fundo se beneficiarem das exportações, a valorização
da moeda estrangeira pode melhorar os resultados da empresa e de suas ações,
beneficiando os fundos que investem nelas.
Por outro lado, uma
carteira formada por empresas importadoras ou que tenham dívidas em dólar pode
sofrer quedas se a moeda norte-americana estiver em alta. Assim, os impactos
dependem das características do fundo e sua estratégia de alocação.
Para os fundos de
ações que possuem empresas no exterior, caso não tenham proteção cambial, eles
podem se beneficiar com o aumento do dólar.
Fundos cambiais
Os fundos cambiais investem a maior parte dos recursos em ativos
relacionados à moeda estrangeira.
Em geral, esses
veículos podem servir tanto para você aproveitar os movimentos de alta quanto
para se proteger deles. Vale saber que os fundos cambiais estão entre os
principais investimentos afetados diretamente pelas mudanças na cotação das
moedas no mercado.
Multimercados
Já os fundos
multimercados contam com mais liberdade para definir a estratégia de
investimento que será colocada em prática pelo gestor. Desse modo, eles podem
ser compostos tanto por investimentos de renda fixa quanto de renda variável.
Ainda, esses fundos podem ter ativos internacionais em seu portfólio.
A princípio, o
efeito da oscilação da taxa de câmbio tende a ser mais intenso em veículos
financeiros com exposição à moeda estrangeira afetada.
Nesses casos, tanto
movimentos de valorização quanto de desvalorização cambial podem ser
vantajosos. Na prática, o resultado dependerá dos objetivos do fundo e das
decisões do gestor a respeito das operações que serão realizadas.
Agora você sabe como
a taxa de câmbio e o comportamento de uma moeda estrangeira podem afetar seus
investimentos. Com o conhecimento necessário, você tem a chance de proteger sua
carteira desses movimentos ou aproveitá-los em busca de lucros, se fizer
sentido para sua estratégia enquanto investidor.
Quer saber mais sobre as diferentes taxas cambiais que podem existir no mercado? Veja as diferenças entre dólar comercial e dólar turismo!
