ESG - A QUESTÃO AMBIENTAL: PARTE 003
Artigo: Por que precisamos falar sobre greenwashing
Marina Mantoan e Lutz Kuehne, da EY, trazem neste artigo os seis passos para as empresas lidarem com a questãoPor Marina Mantoan e Lutz Kuehne*, Para o Prática ESG — São Paulo
Cunhado em 1989 e
traduzido como "lavagem verde", o termo é caracterizado pela
valorização de uma empresa ou produto por meio de omissão de informações, fake
news, exageros fictícios ou até mesmo a manipulação ou ausência de dados
relevantes. Isso pode ocorrer em diferentes cenários, desde relatórios anuais e
financeiros, até propagandas de marketing, rótulos de produtos, imagens ou
declarações públicas.
No ambiente
corporativo, estamos sujeitos a falhas, crises reputacionais, e imprecisão de
informações. Contudo, diante de ações com consequências ambientais e sociais,
todo zelo é pouco. A reputação de uma empresa está diretamente ligada à
integridade, à transparência e às evidências de ações pontuais e sistêmicas que
resultem em impactos positivos mensuráveis a curto, médio e longo prazo para a
sociedade.
Ao partirmos dessa
premissa, sabemos o quanto a indústria de combustíveis fósseis, por exemplo, é
constantemente criticada por greenwashing. Quando tratamos temáticas como
redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e neutralidade de carbono,
observa-se que o plano de negócios muitas vezes segue na contramão dos
compromissos com a descarbonização assumidos publicamente.
Outro setor que vem
sofrendo críticas relativas a greenwashing e forte pressão regulatória por mais
transparência na agenda e critérios ESG é o setor financeiro, principalmente os
fundos de investimento que se apresentam como sustentáveis.
Por isso, para que a
agenda ESG seja de fato um norteador na redução e reparação de danos sociais e
ambientais, a tendência é que as entidades regulatórias intensifiquem o combate
à prática de greenwashing.
Atualmente, há
diversos formatos de relatórios e métricas que auxiliam empresas e instituições
na identificação das melhores práticas na divulgação de impactos relativos a
ESG, como o GRI (Global Report Initiative), SASB (Sustainability Accounting
Standards Board), e PRI (Principles for Responsible Investment World Economic
Forum).
Nesse sentido, tendo
como horizonte o aspecto preventivo, o principal pilar para evitar o
greenwashing é a governança corporativa. O uso das estruturas de governança e
Compliance das empresas é crucial para ações de ESG centradas em compromissos
estratégicos, análise e monitoramento de riscos e fortalecimento da cultura
organizacional em toda a comunidade de stakeholders (clientes, fornecedores,
colaboradores etc).
Embora as empresas
tenham ciência da importância da agenda ESG e, até mesmo do conceito de
greenwashing, pode haver um despreparo para enfrentar crises reputacionais
ligadas a este tipo de ocorrência.
Por isso, listamos a
seguir 6 passos e caminhos imprescindíveis de ação para as empresa diante de
uma crise de greenwashing:
1. Invistam em
soluções tecnológicas para a geração de dados confiáveis, gerando evidências
que garantam a confiabilidade dos dados, inclusive no que tange ao atingimento
ou não dos compromissos assumidos publicamente. Isso inclui o suporte às três
linhas de defesa da governança em relação às metas e ações concretas da agenda
ESG, que sempre devem ser alinhadas à estratégia da empresa, verídicas e
alcançáveis. No momento da crise, soluções tecnológicas aplicadas auxiliarão
com mais rapidez e precisão diante do confronto de dados.
2. Mantenham a
política de gestão de crises sempre atualizada. Ela precisa endereçar os riscos
e reunir todas as informações deste processo. Por exemplo, planos de
contingência, procedimentos sobre o que deve ser feito e quem precisa ser
acionado em caso de crises efetivas. Considerem desenhar uma política através
de mapeamento de riscos e simulação de possíveis crises.
3. Acionem o comitê de
gestão de crise com membros de diferentes expertises, com as competências
certas para centralizar, coordenar e endereçar as ações. É muito importante
definir antecipadamente quais são os papéis e responsabilidades de cada membro.
Isso agiliza a tomada de decisões.
4. Em caso de iniciar
o processo investigativo, optem por uma empresa de consultoria externa
independente que irá reunir fatos, dados e documentos através da coleta de
informações disponíveis para análise de quem são os envolvidos, modus
operandis, entre outros impactos. Considerem sempre o acionamento de um
escritório de advocacia especializado em temas ESG e gestão de crises para
avaliação dos impactos e resultados, no processo de gestão de crise e,
sobretudo, a continuidade do negócio.
5. Estabeleçam
protocolos de comunicação, como monitoramento da repercussão. Os quais poderão
ser acionados de acordo com o impacto da questão de greenwashing e os diversos
públicos envolvidos. É aconselhável a contratação e uso de agentes externos
(agências de comunicação, de publicidade, etc) para a comunicação assertiva e
direcionada aos interesses dos diversos grupos e públicos-alvos, como
investidores, mercados, empregados, governo, comunidade, entre outros.
6. Por fim, realizem
treinamentos periódicos e tempestivos para os momentos de crises, que incluam
desde os porta-vozes até a disseminação entre os colaboradores para que todos
tenham ciência do ocorrido. Esses treinamentos devem ter uma programação
pautada em medidas em curso, orientação de como proceder, processo de gestão de
crise para diversas análises, comunicação institucional e pronunciamentos
públicos.
*Marina Mantoan é
sócia para Forensic & Integrity Services da EY Brasil. Lutz Kuehne é sócio
para Forensic & Integrity Services da EY Brasil.
Marina Mantoan, sócia para Forensic & Integrity Services da EY Brasil.
