JUROS E CRISE ECONÔMICA
A
cada 45 dias, a palavra Selic multiplica-se no noticiário econômico brasileiro.
É quando ocorre a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco
Central. Na última delas, no dia 11 de março, o Copom decidiu reduzir a taxa
básica de juros em 1,5 ponto percentual. Assim, a meta para a taxa Selic ficou
em 11,25% ao ano. A redução foi a maior desde 2003, mas deixou muitos
insatisfeitos. Diante da crise econômica mundial, muitos países reduziram a
taxa para próximo de zero.
A Selic é a principal taxa que
remunera os títulos públicos, ou seja, são os juros recebidos por quem empresta
dinheiro ao governo federal. O Copom define uma meta para ela, que funciona
como uma ordem para outro setor: o de operações de mercado aberto. A redução da
meta é um aviso para que esse departamento compre títulos da dívida. O dinheiro
volta às mãos de quem emprestou ao governo. Assim, reduzir os juros é aumentar
a moeda circulante. Mais dinheiro no bolso significa mais consumo e mais investimento.
Industriais e investidores cobram esse estímulo, especialmente em tempo de
crise.
É o fato de ter mais dinheiro
circulando que reduz as taxas de juros. Os juros são o preço do dinheiro. Assim
como quanto maior for a oferta de maçã na feira menor será seu preço, quanto
mais dinheiro houver no mercado, menores os juros. A taxa básica de juros pode
servir como inspiração para o mercado, mas não há um consenso sobre se
realmente influencia o crescimento da Economia. Uma coisa é certa: sua redução diminui
os gastos do governo com os juros da dívida pública. Além disso, pode tornar
mais lucrativo aos bancos emprestar do que investir em títulos, movimentando o
crédito. É claro que esse resultado pode falhar se os bancos avaliarem que o
risco de inadimplência é alto.
Para definir a
meta, o Copom analisa vários dados da economia, como o nível de atividade, as
finanças públicas e o balanço de pagamentos. A atenção principal, entretanto, é
sobre a inflação. Um relatório é apresentado na semana seguinte à divulgação da
taxa e pode ser acessado no site do Banco Central.
Autora: Luciana Seabra

