HISTÓRIA DO BRASIL - III: O QUADRIÊNIO DA DESGRAÇA ECONÔMICA: MMXVIII/MMXIX/MMXX/MMXXI/MMXXII.
Para Jean Paul
Prates, redução servirá para abrigar emendas de relator, apesar de Bolsonaro
dizer que vai trabalhar para extingui-lo
Levantamento do gabinete do senador Jean Paul Prates (PT-RN) mostra que para 2023, os cortes do presidente Jair Bolsonaro (PL) na área social somam R$ 5,6 bilhões.
De acordo com
os dados, as reduções nas despesas foram feitas para acomodar as emendas de
relator, cuja previsão na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) já sancionada
pelo presidente é de R$ 19,4 bilhões.
"Os dados mostram o real projeto do Bolsonaro, caso ele vença as eleições. Em 2023, praticamente não haverá recursos para o Farmácia Popular, para o Mais Médicos, para o controle do câncer, para obras de prevenção a desastres, para o Sistema Único de Assistência Social e para a construção de habitações populares, cisternas no semiárido e creches. Enquanto isso, Bolsonaro sancionou na LDO R$ 19,4 bilhões das emendas de relator na reserva de contingência do orçamento. Não adianta dizer que não é dele a responsabilidade", critica Jean Paul.
Uma das áreas
mais afetadas foi a construção de creches, que tinha previsão orçamentária de
R$ 100 milhões para 2022 e, para o próximo ano, contará com apenas R$ 2,5
milhões, uma queda de 98%. O programa Caminho da Escola, que garante transporte
para os estudantes, teve corte de 96%, caindo de R$ 10 milhões para R$ 425 mil.
A Farmácia Popular disporá de R$ 841,7 milhões no próximo ano, 59% a menos
do que em 2022, para bancar a gratuidade de medicamentos, e R$ 176,7 milhões,
ou 60% a menos, para as compras com coparticipação.
De acordo com
Jean Paul, 21 milhões de pessoas poderão deixar de ter acesso a medicamentos
para diabetes, asma, hipertensão, Parkinson, glaucoma e até mesmo para fraldas.
Nem mesmo a área de prevenção
de desastres ficou ilesa: os recursos disponíveis caíram de R$ 2,8 milhões para
R$ 250 mil.
Na segunda-feira (24),
Bolsonaro afirmou que trabalhará para extinguir
as emendas de relator do Congresso caso
seja reeleito na eleição presidencial do próximo domingo.
Para Jean Paul, no entanto,
trata-se de uma falácia do presidente. "Se quisesse mesmo se desvincular
disso tudo, ele teria vetado a proposta. Na mesma lei, Bolsonaro vetou o
reajuste da merenda, mesmo que o valor esteja congelado há cinco anos e a
inflação de alimentos seja de 13% em 12 meses. Portanto, Bolsonaro aprovou SIM
o orçamento secreto para 2023", argumenta.
