TAXA SELIC BAIXA
A Selic baixa pode representar um impulso no consumo, o que é ótimo, uma vez que isso tende a movimentar a economia e fazê-la crescer. Todavia, esse fenômeno pode gerar um efeito desagradável e que assusta muito os brasileiros, principalmente os mais velhos: a inflação.
O custo menor do dinheiro faz com que a demanda sobre determinados produtos aumente. Se a oferta não acompanhar esse aumento, o normal é que a inflação surja — isso provoca o efeito reverso e faz com que o Banco Central precise agir, o que costuma ser feito por meio da elevação da taxa Selic.
Para compreender melhor essa dinâmica, é necessário ter em mente o que é, afinal de contas, a inflação. Por definição, considera-se um movimento inflacionário aquele no qual há um aumento persistente e generalizado do nível dos preços em uma economia. Essa característica faz com seja possível diferenciá-la de picos pontuais na elevação dos preços de determinados produtos.
Isso significa, na prática, que aumentos isolados dos preços de alguns produtos não se traduzem, necessariamente, em aumento ou descontrole da inflação. Ou seja, a carne ou o tomate podem aumentar 20% em um mês e isso terá impacto no bolso do consumidor. Todavia, se esse aumento não prosseguir no mês seguinte, tal elevação terá impacto bastante reduzido sobre as taxas de inflação, principalmente em longo prazo.
A inflação oficial no Brasil é medida pelo chamado IPCA, sigla para Índice de Preços ao Consumidor Amplo. O IPCA é calculado e divulgado mês a mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para chegar ao número da inflação daquele período, os pesquisadores saem às ruas de várias regiões metropolitanas do Brasil. Essa coleta considera o espaço de tempo que vai do dia 1º ao dia 30 de cada mês e reflete a inflação para as famílias que ganham entre 1 e 40 salários-mínimos.
De todo modo, não é tão fácil chegar ao número da inflação. E a razão para isso é simples: o cálculo do IPCA é feito sempre por meio de uma média ponderada, no qual cada grupo de produtos tem um peso maior na composição do índice. Logo, elevação no preço dos alimentos ou dos combustíveis tem impacto muito maior do que aumento das contas de telefone ou dos vestuários, por exemplo.
Tal lógica explica também por que a inflação atua com muito mais força sobre as famílias de menor renda. Esses grupos costumam gastar quase tudo o que ganham em itens de primeira necessidade, principalmente alimentos.
Com isso, qualquer aumento nos preços certamente terá enorme peso no seu orçamento, ainda mais quando levamos em conta que essas famílias não costumam ter reservas financeiras que ajudam na proteção contra tais choques.
Do outro lado, famílias com renda maior comprometem uma fatia menor dos seus salários com a compra de produtos básicos, o que faz com que o aumento dos preços seja sentido com mais suavidade. Além disso, não é raro que essas pessoas contem com reservas financeiras, muitas vezes aplicadas em investimentos que oferecem rendimentos similares aos juros ou à inflação, ampliando a proteção contra movimentos inflacionários.
Por muito tempo, principalmente entre meados dos anos 1980 e começo dos anos 1990, a inflação foi um problema sério para os brasileiros, que conviviam com as taxas estratosféricas e a constante remarcação dos preços nos mercados, às vezes em vários momentos no mesmo dia.
Diversas reformas econômicas mais a implementação do Plano Real domaram a hiperinflação no país. Hoje em dia a economia brasileira trabalha com as chamadas metas de inflação, o mecanismo em vigor desde 1999.
