DESEMPREGO - AJUSTE FISCAL




“Com o ajuste fiscal, o governo reduzirá alguns gastos, principalmente, na área social e aumentará tributos. As duas políticas conspiram contra a produção e o consumo. São medidas recessivas, cujos efeitos se somam à recessão iniciada antes mesmo do anúncio do ajuste”. A afirmação é de Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Ele é um dos palestrantes do evento O Ajuste Fiscal, Emprego e Produtividade, que foi realizado na FecomercioSP.


Além do ajuste fiscal, o governo pratica um ajuste monetário, com elevações sucessivas da taxa básica de juros. “Novamente, isso vai contra a produção e o consumo. Ou seja, o conjunto da obra do ajuste não ajuda em nada o emprego. Pelo contrário, tende a provocar demissões e a aumentar significativamente a taxa de desemprego”, avalia Hélio Zylberstajn.


Ele explica que, em uma situação de recessão, a rotatividade e a produtividade caem. “Os demitidos não são substituídos e os que têm trabalho não têm nenhum incentivo para sair e procurar um emprego melhor. Por fim, a queda na produção tende a ser maior que a queda no emprego, pelo menos no início”, diz o professor.

Diante desse cenário, Hélio Zylberstajn espera que “a crise consiga produzir um novo padrão de diálogo entre os diversos segmentos da sociedade” para que o País possa reverter o quadro negativo em pouco tempo e ainda sair fortalecido.


Por Alessandra Jarussi

Ao mencionar esta notícia, por favor referencie a mesma através desse link:
www.fecomercio.com.br/noticia/ajuste-fiscal-tende-a-aumentar-desemprego-diz-helio-zylberstajn

 




“[...] se já existe excedente significativo de desemprego [...] o fato de aplicar ajustes fiscais simplesmente aumentará esse excedente e aumentará o número de desempregados. Além disso, todo homem levado ao desemprego por esta ou qualquer outra razão verá diminuir seu poder aquisitivo e provocará, por sua vez, maior desemprego entre os trabalhadores que produziriam aquilo que ele não tem mais meios de comprar. E assim a situação piora incessantemente, num círculo vicioso.” - John Maynard Keynes

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