HISTÓRIA ECONÔMICA DO SÉCULO XXI: CAPÍTULO - I
Instituições financeiras não querem apoiar nova lei de desmatamento, diz UE
Integrante da comissão europeia critica bancos por não apoiar proposta
feita pelo bloco
Maytaal
Angel
LONDRES
| REUTERS
A
Comissão Europeia disse nesta quarta-feira (13/09/2023) que as instituições financeiras
não estão apoiando a nova
lei de desmatamento da UE, que enfrentou uma reação negativa dos países
produtores preocupados com a criação de barreiras comerciais injustas.
A
lei histórica exige que os importadores de commodities como café, cacau, carne
bovina, soja, borracha e óleo de palma apresentem uma declaração de devida
diligência provando que os produtos não estão contribuindo para a destruição
das florestas, sob pena de sofrerem multas pesadas.
O desmatamento é
responsável por cerca de 10%
das emissões globais de gases de efeito estufa que impulsionam a
mudança climática, e a lei, que entrará em vigor no final de 2024, visa
combater a contribuição da União
Europeia para a perda florestal.
"É
claro que há um preço a pagar. Estamos investindo muito dinheiro (para ajudar
os países produtores), mas as instituições financeiras não estão
acompanhando", disse Leonard Mizzi, chefe de unidade do departamento de
Parcerias Internacionais da Comissão.
Em
um encontro internacional do setor de café em Londres, Mizzi defendeu que uma
abordagem regulatória para combater o desmatamento era necessária porque as
promessas voluntárias das empresas de limpar suas cadeias de suprimentos usando
auditorias de terceiros, como o Fairtrade, tiveram impacto limitado.
Em
relação às preocupações dos países produtores sobre a lei, Mizzi disse que a UE
está buscando uma "abordagem de múltiplas partes interessadas",
apontando para os diálogos regionais sobre café que está realizando com vários
países da América Latina.
"Não
é um processo fácil, mas também não será tão complicado de implementar",
disse ele.
A
Indonésia classificou a lei como um exemplo de "imperialismo
regulatório", enquanto a Malásia afirmou que se trata de um "esforço
deliberado" para aumentar os custos e as barreiras para seu setor de óleo
de palma -- uma importante fonte de receita de exportação para o país.
