HISTÓRIA DO BRASIL - ANO MMXXIII: MERCADO DE TRABALHO
Idade média do trabalhador brasileiro se aproxima dos 40 anos. Qual o impacto disso para a economia?
Um movimento silencioso e contínuo tem transformado a realidade do mercado de mercado de trabalho brasileiro. Nos últimos anos, a média de idade da população ocupada subiu e se aproxima cada vez mais dos 40 anos, de acordo com um levantamento realizado pela consultoria LCA.
O envelhecimento dos trabalhadores deve se intensificar nos próximos anos, diante de um cenário em que o aumento da população é lento - os dados recentes do Censo mostraram que a taxa média de crescimento populacional é a menor desde o primeiro levantamento feito no País, em 1872. O resultado é um ritmo menor de jovens entrando no mercado de trabalho comparado ao que ocorreu até bem pouco tempo.
“Esse fenômeno é uma boa notícia para o jovem (que terá menos concorrência), mas péssima para a economia”, diz o diretor do FGV Social, Marcelo Neri.
No primeiro trimestre deste ano - último dado disponível -, a idade média da população ocupada chegou a 39,3 anos. Desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2012, esse número só foi maior em junho de 2020, quando o levantamento precisou ser alterado por causa da pandemia de covid-19. O estudo da LCA foi realizado com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que é apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“As pessoas com menos qualificação saíram da amostra, e, provavelmente, eram as mais novas”, afirma Bruno Imaizumi, economista da consultoria LCA, explicando o número de 2020. “A tendência é a população ocupada continuar envelhecendo, seguindo um pouco essa questão da população geral.”
Outro fator que eleva a média da idade no mercado de trabalho está relacionado às novas visões e propósitos da população, avalia o CEO da 99Hunters, Felipe Mollica. Segundo ele, enquanto a nova geração tem entrado mais tarde no mercado de trabalho por questões pessoais e de carreira, profissionais maduros optam por ficar mais tempo na atividade.
Os novos desafios
O envelhecimento do País e, consequentemente, do mercado de trabalho abrem desafios tanto para o setor público como para o privado.
A expectativa é que a população em idade ativa diminua já a partir da primeira metade da próxima década, antecipando um movimento que estava previsto para o final dos anos 2030.
Para os diferentes níveis de governo, portanto, é ainda mais importante avançar na melhoria da qualidade da educação pública. A economia brasileira já passou pelo bônus demográfico, conseguiu avançar nos anos de escolaridade, mas não viu a população subir nos rankings internacionais que medem a qualidade do ensino.
Agora, sem poder contar com mais mão de obra disponível para ingressar no mercado de trabalho, o crescimento do País ficou ainda mais dependente do aumento da produtividade, que está ligada à melhoria nos níveis de educação.
Autores: Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira
Matéria publicada no Estadão
