O CAPITALISMO BRASILEIRO É UM AMOR, É OU NÃO É? - CAPÍTULO - XXXII
Preço alto leva brasileiro
a reduzir consumo de proteínas
Até salsichas e linguiças perderam
importância na mesa do consumidor
A carne bovina, que tinha participação de 43,1% no
primeiro trimestre de 2021, agora está com 39%. A trajetória de queda já era
sinalizada em igual período de 2022, quando o consumo caiu para 40,5%. Já a carne suína fez o caminho inverso, subindo de
4,6%, entre janeiro e março de 2021, para 7,6%, no mesmo período de 2022 e,
neste ano, para 9,1%.
Aurelia
Vicente destacou que mesmo as proteínas mais baratas, como salsichas e
linguiças, que se destacaram em 2022, perderam importância na mesa dos
brasileiros na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. O consumo de
linguiças caiu de 15,4% para 14,9% e o de salsichas, de 4,8% para 3,8%. No
curto prazo, o consumo de carne de aves também apresenta recuperação e, após
alta de preços em 2022, a participação passa de 25,9% para 28,6% no primeiro
trimestre de 2023.
Peixes
e frutos do mar demonstraram estabilidade nos três primeiros meses deste ano,
comparativamente ao mesmo período de 2022, com 4,3% de share, embora
apresentando retração em relação a 2021 (6%).
Cenário futuro
Segundo
Aurelia Vicente, até pelo início do cenário de queda da inflação mais recente,
já se começa a ver uma retomada do consumo de carne de frango, por exemplo. “É
um cenário que vem muito pela necessidade de equilíbrio do bolso [do consumidor]
mesmo. As pessoas querem continuar com alguma proteína no prato e acabam indo
para algo que caiba dentro do bolso. A gente vê o movimento dessas proteínas
mais baratas (salsichas e linguiças) ganhando esse espaço, não só em classes
mais baixas, mas principalmente nessas classes, virando justamente a principal
proteína. Ou seja, ganhando esse espaço que antes era muito forte de bovinos e
aves.”
Para
a diretora da Kantar, no curto e no médio prazos, a questão vai depender do
comportamento dos preços. “O Brasil tem preferência pelas carnes bovina e de
frango e, quando as pessoas tiverem possibilidade, vão voltar a comprar com
mais intensidade”, disse Aurelia. Ela ressaltou que isso será um reflexo do
comportamento de preços, não só da carne, mas de outras categorias que são
commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado externo),
como arroz e feijão”. O brasileiro tem intenção de consumir, mas existe o
impeditivo dos preços altos hoje em dia, ressaltou.
Desde
2020, a plataforma Kantar realiza semanalmente pesquisas semelhantes, ouvindo
3.800 pessoas.
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