HISTÓRIA DO BRASIL - ANO MMXXIII DO QUADRIÊNIO DA ESPERANÇA, VOZES DO BOM SENSO: EDU LYRA
Circunstâncias mudam, ideias ficam
Quando
a situação econômica não é favorável, é hora de acelerar, não de diminuir, o
ritmo da agenda social
Atravessamos um momento de incertezas na economia. Eventos como a guerra na Ucrânia, o acirramento da competição entre Estados Unidos e China e as recentes altas na taxa global de juros tornam ainda mais difícil a recuperação do mundo pós-pandemia.
Tudo indica que estamos à beira de um inverno na economia, com desaceleração do crescimento em escala global. Diante desse clima de incerteza, é compreensível que o setor privado comece a refazer cálculos e a rever alguns gastos.
Essa
postura não apenas é contraproducente, como ilustra bem a diferença entre
aqueles que tomam decisões ao sabor das circunstâncias e aqueles que se baseiam
em ideias sólidas.
Conjunturas
mudam a toda hora. A economia é cheia de subidas e descidas imprevisíveis, em
ritmo vertiginoso. Boas ideias, no entanto, conseguem atravessar sem um
arranhão esse terreno movediço, pois apontam para objetivos muito mais
abrangentes e ambiciosos.
Quem
atua na área social não pode se basear em circunstâncias. O líder de uma ONG na
favela, o educador voluntário, o profissional de saúde que atende comunidades
ribeirinhas ou o agente ambiental não podem esperar o fim da crise para
realizar seu trabalho. Muito pelo contrário, é quando as circunstâncias do país
pioram que seu trabalho se torna ainda mais essencial.
Períodos
de incerteza na economia servem para testar se nossas elites empresariais
realmente têm como norte as ideias expressas na sigla em inglês ESG —
environmental (ambiental), social (social) e governance (governança). Será que
a sociedade brasileira está preparada para dar prioridade a mazelas como
pobreza, desigualdade e degradação do meio ambiente? Ou esse compromisso só
vale da boca para fora?
É
fundamental que o setor privado entenda que a manutenção do investimento social
é benéfica também do ponto de vista puramente financeiro. Nenhum país supera
momentos de crise sem investir em seu capital humano, apostar em tecnologia e
inovação, fortalecer seu mercado interno e capacitar sua mão de obra para
ampliar a produtividade. Quando as circunstâncias econômicas não são
favoráveis, é hora de acelerar, não de diminuir, o ritmo da agenda social.
Essa
deve ser a convicção de nossos filantropos. Se o Brasil e o mundo atravessarem
um período de crise, precisamos de uma elite, no melhor sentido da palavra,
verdadeiramente compromissada com um ideário social, que use seu poder político
e econômico para fazer frente às circunstâncias e para manter ativos os
programas mais promissores de combate à pobreza.
Tempos
de crise são oportunos para que um povo mostre que não é motivado pelas
circunstâncias, mas sim por grandes ideias.
Fundador e CEO da
Gerando Falcões
Publicado no jornal O Globo
