HISTÓRIA DO BRASIL: MMXIX/MMXX/MMXXI/MMXXII, O QUADRIÊNIO DA DESGRAÇA ECONÔMICA - XXIV
Falências de empresas
saltam 80% em dois anos, diz Serasa Experian
Embora
o número de pedidos seja maior entre as empresas médias, são as micro e
pequenas empresas que têm a maior proporção de falências decretadas. Foram 28
pedidos e 31 falências deferidas apenas em janeiro. No caso das grandes
empresas, foram cinco pedidos de falência aceitos e 19 pedidos.
No
início de fevereiro, a Livraria
Cultura teve falência decretada pelo Tribunal de Justiça de São
Paulo por descumprimento do plano de recuperação judicial, que se arrasta desde
2018. Na época, as dívidas da empresa somavam cerca de R$ 285 milhões.
Por
volta de duas semanas depois, a Cultura conseguiu uma liminar suspendendo a sentença e
passou a estar autorizada a manter a atividade de suas duas lojas, que ficam na
cidade de São Paulo e em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, além das plataformas
online.
Outro
caso recente foi o da fábrica de chocolates Pan, fundada em 1935. A empresa
ficou conhecida no passado pelos cigarrinhos de chocolate havia pedido
recuperação judicial em 2021, mas não conseguiu se reerguer e pediu
falência à Justiça de São Paulo na semana passada.
Recuperação judicial também aumentou
Ainda
segundo a pesquisa, os pedidos de recuperação judicial entre micro e pequenas
empresas dobraram em relação ao ano passado. Dos 62 requerimentos em janeiro de
2023, 43 foram aceitos pela Justiça.
A mesma
tendência aparece nos dados das empresas médias. Em janeiro de 2022, eram
apenas quinze, número que subiu para trinta pedidos no início deste ano. Onze
foram reconhecidos.
Situação complicada: Itaú
segue outros bancos e entra na Justiça contra Oi
Para
empreendimentos de grande porte, a diferença é maior que o dobro. Os pedidos
subiram de seis para quinze, e treze foram aceitos. O caso da Americanas foi
emblemático entre o grupo de grandes empresas que enfrentam dificuldades
financeiras, do qual também faz parte Oi e Marisa.
Na
recuperação judicial, a empresa em dificuldades fica protegida da execução de
dívidas por credores até que proponha e aprove entre eles um plano de
reestruturação sob mediação da Justiça.
Cenário macro desfavorável
O
principal elemento por trás das crises sucessivas nas empresas é a alta dos
juros, que encarece o crédito. A Selic disparou de 2% no início de 2021 para
13,75% em agosto de 2020, patamar
mantido até hoje pelo Banco Central (BC).
Outro
agravante é a lenta retomada do consumo, que sofre com a inflação e com a
diminuição na renda da população, que ainda está muito endividada. Por fim,
segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, a incerteza sobre a política
fiscal do novo governo também compromete a confiança dos
investidores.
