O CAPITALISMO BRASILEIRO É UM AMOR, É OU NÃO É? - CAPÍTULO - IX
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| Charge de Laerte, publicada na Folha em 23 de fevereiro de 2023 |
Após chuvas no litoral, deputados pedem 5 anos de prisão para alta abusiva de preço no comércio
Procon-SP fez alerta sobre valores de alimentos e água na região
Após os relatos de alta de preço abusiva em produtos de necessidade básica
no comércio de São Sebastião (SP), foram protocolados quatro projetos de lei
na Câmara dos Deputados para tentar criminalizar a prática com penas de
2 a 5 anos de prisão em cenários de calamidade pública.
A ideia é
alterar o Código de Defesa do Consumidor. Hoje há previsão de multa, mas sem
enquadramento penal.
Os autores dos
projetos argumentam que é preciso proteger a população em situações de calamidade, endemias, epidemias e pandemias. Nos momentos de
emergência social, os comerciantes poderiam rever a política de preços, porém,
seguindo o critério da justa causa, para acompanhar eventuais altas de custo.
Os projetos
foram propostos pelos deputados Duarte (PSB-MA), Ricardo Silva (PSD-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Delegado Palumbo (MDB-SP).
"O mais
grave, é que temos tido notícias de que esses aumentos chegam a ultrapassar
100% em muitos casos, como foi possível verificar a venda de água por R$ 93,
macarrão por R$ 20 e café por quase R$ 30", diz Ricardo Silva.
Nesta terça
(21), o Procon de São Paulo fez um alerta sobre o aumento de preço de alimentos, água, remédio e combustíveis em
cidades atingidas pela chuva.
Trabalho de Joana Cunha com Paulo Ricardo Martins e Diego Felix da Folha de São Paulo
Repórter da
Globo chora ao relatar ganância em tragédia do litoral: 'R$ 93 um litro d'água'
Walace Lara se
emocionou com situação em São Sebastião
O repórter da Globo Walace Lara chorou ao vivo ao relatar que há comerciantes vendendo um litro de água por R$ 93 na região de São Sebastião (assista abaixo). A localidade já tem mais de 40 mortos pelos alagamentos e deslizamentos de terra.
Durante entrada no Bom Dia SP, o repórter não conseguiu conter as lágrimas. "Desculpa, gente, vou respirar aqui e vou falar. Tive ontem em uma comunidade aqui em Topolândia, em São Sebastião, onde tem pelo menos cem pessoas tirando lama de dentro das casas. É uma situação muito difícil de se ver e acompanhar. As cidades não têm estrutura", começou.
"É difícil ouvir o depoimento que a gente ouviu agora e não se emocionar. Cobrar R$ 93 em um litro de água na situação que nós estamos aqui é inacreditável", lamentou com voz embargada.
As chuvas históricas que atingem cidades do litoral de São Paulo desde sábado (18) já deixaram 44 mortos,
sendo 43 em São Sebastião e um em Ubatuba. Sete corpos (dois homens adultos,
duas mulheres adultas e três crianças) já foram identificados e liberados para
sepultamento, segundo a Defesa Civil.
O total de
pessoas fora de casa, desabrigadas ou desalojadas, chega a 2.500. Os
desaparecidos somam 40, mas os números ainda devem aumentar, já que há relatos
de que pessoas estariam sob os escombros de estruturas que cederam.
