HISTÓRIA DO BRASIL: MMXVIII/MMXIX/MMXX/MMXXI/MMXXII, O QUADRIÊNIO DA DESGRAÇA ECONÔMICA - XVI
Dados do Dieese
divulgados nesta segunda-feira mostram que o conjunto de alimentos variou
12,11% em 2022. No último mês do ano passado, houve queda de 2% no preço da
cesta básica
O salto em 2022 fez a cesta básica da Capital
chegar aos R$ 765,63 no último mês de dezembro — valor R$ 92,71 mais caro do
que 12 meses antes. Mas Porto Alegre não ficou sozinha nesta conta. Conforme os
dados do departamento, o grupo de itens teve alta em todas as 17 capitais
pesquisadas no somatório de 2022.
A alta
foi puxada por itens como farinha, batata, banana e café, que saltaram entre
20% e 50% de valor. A maior elevação registrada foi a da batata, que ficou
49,02% mais cara no ano que passou. O café subiu 20,58%. Mas, em valores, isto
acaba sendo mais sentido pelo consumidor, pois a bebida é um produto
normalmente mais caro do que outros que também tiveram alta.
O relatório do Dieese pontua as razões que levaram oito dos 13
produtos pesquisados a terminarem o ano mais caro nas 17 capitais pesquisadas.
Para o departamento, os aumentos de preços, "em geral acima da média da
inflação, obrigaram as famílias brasileiras, por mais um ano, a substituir
alimentos habitualmente consumidos por outros mais baratos ou similares".
O documento ainda aponta que "a ausência de políticas — de estoques
reguladores, de subsídios aos preços dos produtos ou mesmo a falta de
investimento em agricultura familiar — fez com que a trajetória dos preços
continuasse em alta".
Do lado da oferta de itens, o Dieese cita que
os principais motivos das altas foram "o conflito externo entre Rússia e
Ucrânia e a dificuldade de escoar a produção de trigo e óleo de girassol; o
encarecimento dos custos de produção do leite no campo; a elevação de preço dos
fertilizantes; o clima seco devido ao fenômeno La Niña; e a manutenção da taxa
de câmbio em alto patamar, medida que estimulou a exportação".
Salário
Além das informações sobre os preços dos alimentos, o Dieese
também mostra quanto estes gastos influenciam no custo de vida das famílias. Na
Capital, os consumidores fecharam o ano comprometendo quase 70% do salário
mínimo em vigor (de R$ 1.212) para adquirir todos os itens pesquisados. Pelos
cálculos da instituição, o salário mínimo necessário para custear uma família
brasileira deveria estar em R$ 6.647,63, mais de cinco vezes o valor atual.
CONFIRA O LEVANTAMENTO COMPLETO
Confira a variação mensal e anual de 13
itens pesquisados pelo Dieese em Porto Alegre.
|
PRODUTO |
VARIAÇÃO MENSAL |
VARIAÇÃO NO ANO (2022) |
||||
|
Tomate |
6,34% |
17,01% |
||||
|
Feijão |
4,99% |
-9,73% |
||||
|
Arroz |
3,30% |
10,07% |
||||
|
Óleo |
1,51% |
3,67% |
||||
|
Açúcar |
0,90% |
0,22% |
||||
|
Farinha |
0,27% |
35,78% |
||||
|
Café |
0,14% |
20,58% |
||||
|
Pão |
-0,23% |
19,48% |
||||
|
Carne |
-1,92% |
2,70% |
||||
|
Manteiga |
-2,02% |
22,43% |
||||
|
Leite |
-4,74% |
22,11% |
||||
|
Banana |
-10,59% |
31,37% |
||||
|
Batata |
-12,52% |
49,02% |
||||
|
Total |
-2,03% |
12,11% |
*Fonte: Dieese-RS. Dados referentes a dezembro de 2022.
Publicado originalmente no jornal Zero Hora
