INTRODUÇÃO À ECONOMIA - NICHOLAS GREGORY MANKIW
Introdução à Economia é o
principal livro de entrada ao ensino formal e acadêmico de Ciências Econômicas
para estudantes. A obra fornece um retrato geral das ferramentas de economia,
bem como os diferentes tópicos que são estudados e usados por economistas e
pesquisadores. Além da enorme abrangência do livro, discutindo os campos tanto
da macroeconomia quanto da microeconomia, ramificações desses campos também são
cobertos, como crescimento econômico de longo prazo e finanças públicas.
Logo no começo, Mankiw
fornece 10 princípios que irão guiar todo o livro. Sempre ao
iniciar um novo capítulo (livro tem 36 capítulos), geralmente um desses
princípios serão relembrados para auxiliar a leitura.
O primeiro princípio é o de que a
economia é permeada de trade-offs. Para toda decisão tomada,
enfrentamos pontos positivos e negativos. No âmbito do indivíduo, ao decidir
trabalhar uma hora a mais, estará automaticamente abrindo mão de uma hora
adicional de lazer. Ingressar em faculdades representa renda adicional no
futuro, mas no presente há abdicação da renda proveniente do trabalho. Empresas
devem ponderar entre investir em capital produtivo ou na qualificação de
trabalhadores. Governos podem se ver entre escolher por uma política que reduza
os efeitos de uma recessão (menor desemprego), mas que entregará maior nível de
inflação no futuro. Qual o melhor caminho?
Outro princípio de destaque é o
dos incentivos. Pessoas, empresas e governos seguem incentivos.
Como trabalhadores, buscamos os melhores salários. Empresas seguem maiores
lucros. Governos observam ganhos eleitorais. Caso a estrutura seja distorcida,
os resultados podem desviar do ótimo. Tomando o Brasil como exemplo, como
historicamente os governadores de estados recebem perdões de dívidas com a União
(aumento do número de parcelas, menor juro incidente e desconto sobre o total
devido), têm o incentivo de desrespeitar acordos acertados, pois receberão
alívio em caso de descumprimento. Políticos percebendo que a probabilidade de
serem punidos por atos ilícitos é baixa, tendem a continuar com práticas
lesivas ao erário público.
A questão de incentivos é tão
importante e difundida na vida diária, que é estranho a desconsideração desse
ponto na construção de políticas públicas. A recomendação é que os formuladores
de políticas analisem como será a reação dos agentes em decorrência da
alteração das regras do jogo.
Mankiw nos diz que o comércio
internacional tem o potencial de melhorar a situação de todo o país. E
essa afirmação é precisa, sendo colocada como outro princípio. Conforme
economias permitam a concorrência com outros países, empresas devem melhorar a
forma de produzir para que possam sobreviver no ambiente mais competitivo.
Consumidores terão maior diversidade de produtos, a preços mais baixos. No
geral, o efeito é positivo para cada economia envolvida, todavia, há vencedores
e perdedores. Empresários que não conseguiram se adaptar ao novo panorama irão
reclamar do comércio internacional, e provavelmente reivindicarão medidas
protecionistas, como aumento do imposto sobre importações e subsídios.
Já li em discussões de redes
sociais críticas direcionadas a esse livro, segundo as quais o livro não
enfatizaria a importância da existência do Estado de direito e
da propriedade privada como alicerces para o funcionamento dos
mercados. É estranho, pois o sétimo princípio é justamente sobre esse ponto.
Ele assinala para a necessidade de um governo para não somente garantir a lei,
os contratos e a propriedade privada, mas também para intervir e melhorar resultados
do mercado. Em particular, na existência de falhas de mercado, o governo tem o
potencial de melhorar a alocação de mercado, incrementando o bem estar de todos
envolvidos. Fiz uma série de textos analisando as 4 falhas de mercados nas
quais o governo pode melhorar o resultado (externalidades, informação
assimétrica, bens públicos e poder de mercado). Essas
falhas não passam despercebidas por Mankiw. Todas são muito bem discutidas, com
o acréscimo de uma possível nova falha, fator que ganhou relevância no século
XXI, o combate à desigualdade. Esse último ponto mostra que o livro
segue se atualizando, estando atento ao contexto mundial.
O último princípio que discutirei
é o de que o padrão de vida da população depende da produtividade da
economia. Economias mais produtivas conseguem entregar melhores serviços,
mercadorias e ambiente macroeconômico estável para os seus habitantes. Possuem
mais recursos fiscais para mitigar possíveis falhas nos mercados. Leis de
salários mínimos e sindicatos tentam obter esse resultado controlando os preços
dos trabalhadores (salários), entretanto, tais investidas tendem a melhorar
somente a situação dos indivíduos que já estão empregados,
prejudicando, por outro lado, os desempregados. O fator primordial para subir
os salários (e o poder de compra) é o aumento da produtividade.
O livro tem aproximadamente 850
páginas, muitos gráficos, vários textos abordando tópicos recentes e é
extremamente didático, tratando de vários temas de economia, como políticas
econômicas durante recessões, endividamento público e suas consequências e monopólios
e oligopólios. Não consigo imaginar melhor livro para leigos em economia para
iniciarem os seus estudos. Mankiw consegue entregar obra de excelente qualidade
- o que se reflete na ampla aplicação do livro na maior parte das faculdades de
economia do mundo. Dessa forma, Introdução à Economia pode
facilmente melhorar a qualidade do debate econômico (principalmente em redes
sociais). Por exemplo, não há sequer uma menção à teoria monetária
moderna (modern monetary theory), ao gasto público que se autofinancia
de forma permanente, à privatização da justiça e à exploração de
trabalhadores por empresários (mais-valia) - tais ausências não são
fortuitas, servem de alerta para os leitores de suas respectivas importâncias
para a Ciência Econômica.
