JANELA DE OVERTON

 


Já ouviram falar da Janela de Overton? Diz que as ideias consideradas extremistas e centristas pela sociedade mudam ao longo do tempo. Por exemplo: na Europa no século XIX, defender a monarquia absolutista era um extremo, defender a república era o outro extremo, e a ideia moderada era a monarquia parlamentarista.
"A janela de Overton é uma teoria política que descreve como a percepção da opinião pública pode ser mudada de modo que ideias que antes eram consideradas absurdas sejam aceitas a longo prazo.
De acordo com essa teoria, nem mesmo os temas tabus ficariam livres de seus efeitos, de modo que poderia ser alterada de maneira radical a avaliação geral que a sociedade faz sobre questões como o incesto, a pederastia ou o canibalismo. Para isso, não é necessário fazer nenhuma lavagem cerebral ou implementar um regime ditatorial, mas sim desenvolver uma série de técnicas avançadas cuja implementação passaria despercebida pela sociedade".
 A Janela de Overton pode ser aplicada para o pensamento econômico.
Até 1930, havia os clássicos e os marxistas. Aí apareceu Keynes, com o Tratado sobre a Moeda e a Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda. Keynes foi um meio termo entre os clássicos e os marxistas.
Mas o mainstream nos anos 1950 e 1960 foi a síntese neoclássica de Samuelson, Tobin, Solow e Modigliani, que foi um meio termo entre Keynes e os clássicos. Considerava Keynes válido para a macro de curto prazo e os clássicos válidos para a micro e para questões de longo prazo.
"Esse fenômeno foi estudado por Joseph Overton, que observou que, para cada área de gestão pública, apenas uma faixa estreita de potenciais políticas é considerada aceitável. Essa faixa não varia quando as ideias mudam entre os políticos, mas são escolhidas pela sociedade em geral".

Nos anos 1970, a síntese neoclássica foi desafiada pelo monetarismo de Friedman e pelos novos clássicos (Lucas, Sargent, Barro, Prescott), que procuraram reestabelecer as ideias clássicas pré-Keynes.
Nos anos 1980, surgiu o novo keynesianismo, de Stiglitz, Mankiw, Blanchard, Bernanke, Woodford, Summers, Akerlof e Romer, que foi um meio termo entre a síntese neoclássica e os novos clássicos. Combinou a ideia da rigidez de preços e da demanda afetando o produto no curto prazo da síntese neoclássica, com as expectativas racionais e os modelos microfundamentados dos novos clássicos.
"Joseph Overton desenvolveu um modelo vertical de políticas que varia desde “a mais livre” na parte superior do espectro até “a menos livre” na parte inferior. Isso está relacionado à intervenção do governo, na qual políticas aceitáveis ​​são enquadradas em uma janela que pode se mover dentro desse eixo, expandindo ou diminuindo".
Nos anos 1990, foi consolidado o "novo consenso macroeconômico" ou a "nova síntese neoclássica", que embora puxando mais para os novos keynesianos, foi um meio termo entre os novos keynesianos e os novos clássicos.
Em resumo: desde o fim da Segunda Guerra Mundial, há embates para o predomínio na Macroeconomia e o ponto intermediário de conciliação se desloca cada vez mais para o lado dos clássicos.

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