AS TRÊS ECONOMIAS POLÍTICAS DO WALFARE STATE - XI

 


CONCLUSÃO

Apresentamos aqui uma alternativa a uma teoria simples da mobilização de classe no desenvolvimento do welfare states. Foi motivada pela necessidade analítica de passar de uma abordagem linear para uma abordagem interativa tanto com relação aos welfare states quanto a suas causas. Se quisermos estudar os welfare statestemos de começar com um conjunto de critérios que definam seu papel na sociedade. Este papel não é certamente gastar ou tributar; nem é necessariamente o de criar igualdade. Apresentamos uma estrutura para comparar welfare states que leva em consideração os princípios pelos quais os agentes históricos uniram-se e lutaram voluntariamente. Quando focalizamos os princípios incrustados nos welfare states, descobrimos agrupamentos, distintos de regimes, não meras variações de "mais" ou "menos" em torno de um denominador comum.

As forças históricas por trás das diferenças de regime são interativas. Envolvem, em primeiro lugar, o modelo de formação política da classe trabalhadora e, em segundo, a edificação de coalizões políticas durante a transição de uma economia rural para uma sociedade de classe média. A questão da edificação das coalizões políticas é decisiva. Em terceiro lugar, as reformas anteriores contribuíram decisivamente para a institucionalização das preferências de classe e do comportamento político. Nos regimes corporatívistas, a previdência social que promovia distinções hierárquicas de status cimentou a lealdade da classe média a um tipo peculiar de estado dewelfare state. Nos regimes liberais, as classes médias casaram-se institucionalmente com o mercado. E, na Escandinávia, os êxitos da social-democracia durante as décadas anteriores ligaram-se estreitamente à instituição de um welfare state de classe média que beneficia tanto sua clientela tradicional na classe trabalhadora quanto a nova camada dos white-collar. Os social-democratas escandinavos conseguiram realizar esse feito em parte porque o mercado previdenciário privado era relativamente pouco desenvolvido e, em parte, porque foram capazes de edificar um welfare state com traços de luxo suficiente para satisfazer as necessidades de um público mais diferenciado. Isto também explica o custo extraordinariamente elevado dos welfare states da Escandinávia.

Mas uma teoria que pretende explicar o crescimento do welfare state também deve ser capaz de entender sua redução ou declínio. Em geral acredita-se que reações violentas ao welfare state e revoltas anti-taxação são detonadas quando os gastos sociais tornam-se grandes demais. Paradoxalmente, o oposto é que é verdade. Os sentimentos contrários ao welfare state durante a última década em geral foram mais fracos quando as despesas foram as maiores, e vice-versa. Por quê?

Os perigos de reações violentas contra o welfare state não dependem dos gastos, mas do caráter de classe doswelfare states. Aqueles de classe média, sejam eles social-democratas (como na Escandinávia) ou corporativistas (como na Alemanha), forjam lealdades por parte da classe média. Os welfare states residuais, liberais, como os Estados Unidos, Canadá e, cada vez mais, a Grã-Bretanha, dependem da lealdade de uma camada social numericamente pequena e muitas vezes politicamente residual. Neste sentido, as coalizões de classe em que se baseiam os três tipos de regime do welfare state não explicam apenas a sua evolução passada, mas também suas perspectivas futuras.

FIM

 


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