"COMO NÃO ENTRAR EM PÂNICO COM A INFLAÇÃO" POR PAUL KRUGMAN

 


 

Você se lembra do grande susto da inflação de 2010-2011? É um episódio que vale a pena revisitar, porque há uma boa chance de vermos um replay no próximo ano ou, algo parecido.

Depois que a crise financeira de 2008 mergulhou os Estados Unidos em uma recessão profunda, tanto o novo governo Obama quanto o Federal Reserve tentaram estimular a economia, gastando centenas de bilhões em uma variedade de programas enquanto compravam trilhões em títulos. Agora há um consenso entre os economistas de que esses esforços foram úteis, mas também se acredita amplamente que foram inadequados (como alguns de nós argumentaram vigorosamente na época).

À direita, no entanto, é a ladainha de que o governo Democrata é sempre ruim, mesmo em uma crise. Portanto, houve muitos avisos terríveis de que esses esforços para resgatar a economia causariam uma inflação galopante. Em meados de 2010, havia um sentimento palpável de frustração entre alguns conservadores de que a inflação prevista não se concretizou.

Depois, vieram alguns meses em que a inflação parecia estar subindo, afinal. A inflação de preços ao consumidor atingiu quase 4%; a inflação no atacado caiu para dois dígitos; o preço médio de commodities como óleo e soja subiu quase 40% em um ano. Logo os republicanos começaram a arengar com Ben Bernanke, o presidente do Fed, sugerindo que seus esforços poderiam "desvalorizar o dollar".

Mas o Fed manteve seu curso, argumentando corretamente que o aumento dos preços era um sinal temporário, não um prenúncio da estagflação ao estilo dos anos 70. A inflação logo diminuiu e tem se mantido baixa desde então.

Agora vamos lá de novo. O American Rescue Plan, de US $ 1,9 trilhão, sem dúvida, proporcionará muitos estímulos econômicos. Quase todos, desde analistas financeiros privados até o próprio FED, esperam um boom econômico, com a economia dos EUA crescendo a taxas nunca vistas desde os anos 1980. É quase certo que também haverá um aumento da inflação, possivelmente bem acima da meta do Fed de 2% ao ano.  


 

 

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