PROFIT - LED GROWT, WAGE - LED GROW & EXPORT - LED GROWT



Lavoie e Stockhammer sustentam que uma economia está sob um regime profit-led growth ou wage-led growth dependendo da sua estrutura econômica, isto é, da distribuição de renda existente e do grau de abertura econômica do país (comercial e financeira). Além do mais, os autores argumentam que outros componentes comportamentais devem ser levados em consideração para determinar o regime de crescimento: a propensão a consumir dos vários estratos de renda, a sensibilidade dos empresários a mudanças nas vendas ou nas margens de lucro, as mudanças na taxa de câmbio, a demanda externa ea participação das variáveis da demanda agregada (consumo, investimento, gastos do governo e exportações líquidas). No que diz respeito ao setor externo, estruturas econômicas com pequenos diferenciais na propensão a consumir, investimento altamente sensível à lucratividade e economias muito abertas, com alta elasticidade-preço das exportações e alta elasticidade-renda das importações, tendem a se caracterizar como profit-led growth; e, contrariamente, estruturas econômicas com propensão a consumir diferenciadas entre salários e lucros e investimento não sensível à lucratividade (e parâmetro do acelerador elevado) tendem a se caracterizar com wage-led growth. Outros fatores que ajudam a definir o regime de crescimento são a política econômica adotada (monetária, fiscal e cambial), mudanças na demanda mundial, nos preços de commodities, etc. 

Um aspecto interessante a ser destacado nessas estratégias de crescimento é que ambas sustentam que o export-led growth ou o wage-led growth devem ter vigência transitória: para os novo-desenvolvimentistas, apenas para a realização do “catching-up”; para os social-desenvolvimentistas, apenas para os momentos iniciais de um processo de redistribuição (funcional) de renda.

Diante do exposto, entendemos que a escolha entre uma estratégia de crescimento wage-led growth e profit-led growth (e sua variante, export-led growth) parece ser uma opção falsa para a economia e a sociedade brasileira. Por um lado, a economia brasileira dificilmente poderia adotar um caminho asiático de desenvolvimento, baseado na competitividade das exportações via salário baixo e câmbio fortemente depreciado. Por outro lado, não pode e não deve abrir mão de, mesmo tendo o mercado interno como motor do crescimento, desenvolver e manter um setor manufatureiro dinâmico, com capacidade de inserção no comércio internacional. A manutenção de um superávit comercial robusto, o que requer até a exportação de bens manufaturados de maior valor agregado, é condição necessária para a economia brasileira não esbarrar na restrição externa ao crescimento econômico à la Thirwall, e ter uma fonte complementar de crescimento. 

Nesse sentido, a compatibilização e um “meio termo” entre as duas estratégias de crescimento parece ser, portanto, a mais adequada. Um padrão de crescimento, alicerçado em políticas econômicas e reformas estrutural-institucionais, deve (i) buscar melhor distribuição de renda, (ii) induzir a expansão dos investimentos e (iii) formular políticas cambial e de comércio exterior capazes de evitar ou minimizar eventuais impactos negativos que possam prejudicar o equilíbrio no balanço de pagamentos (e criar fonte adicional de crescimento).  Fernando Ferrari Filho e Luiz Fernando de Paula

se define como wage-led growth – crescimento conduzido pelos salários; e se, alternativamente, uma mudança em prol dos lucros resulta em um aumento no crescimento econômico, então o regime se define como profit-led growth – crescimento conduzido pelo lucro.

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